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Histórico do ChatGPT "entregou" adolescente envolvido em duplo homicídio familiar

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Um adolescente de 17 anos foi indiciado por matar a mãe e o irmão mais novo dentro de casa em Massachusetts, nos Estados Unidos. Segundo a promotoria do condado de Middlesex, Arjun Aravind pesquisou no ChatGPT ideias teóricas e histórias de ficção sobre a morte de familiares horas antes do crime. O histórico de conversas com a inteligência artificial se tornou uma das principais evidências do caso.

Aravind é acusado de matar a mãe, Sudha Venkatesan, de 45 anos, e o irmão, Siddharth Aravind, de 14, na casa da família em Acton, subúrbio de Boston. Os corpos foram encontrados na terça-feira (11), após um tutor do adolescente não conseguir contato com os moradores durante uma visita agendada. O pai, que havia saído para o trabalho pela manhã, acionou a polícia pouco depois.

Siddharth foi encontrado no primeiro andar da casa, com traumatismo craniano grave. Venkatesan estava no porão, com ferimentos na cabeça, no rosto e no abdômen. A promotora Suzanne Wiseman afirmou à imprensa que a cena indicava uma luta física violenta, embora a causa oficial das mortes ainda não tenha sido determinada.

Aravind e o carro da mãe desapareceram da residência. O veículo foi localizado horas depois em um estacionamento na cidade vizinha de Wayland, após um alarme disparar. O adolescente foi encontrado dormindo dentro do carro, com mantimentos e grandes quantidades de cereal e barras de proteína, e preso sem resistência.

Papel do ChatGPT na investigação

A promotora Marian Ryan afirmou que o adolescente vinha demonstrando comportamento preocupante, incluindo buscas na internet e no ChatGPT sobre ideias teóricas ou histórias fictícias envolvendo a morte de sua família. Ela descreveu o material como narrativas no estilo gótico, com criação de personagens e cenários hipotéticos que pareciam remeter a ameaças reais contra os parentes.

O documento apresentado à Justiça cita trechos de conversas do adolescente com o chatbot. Nelas, ele desenvolvia um personagem fictício chamado Adrian, que planejava matar os pais e atrair um deles para uma conversa no porão da casa, cenário que se assemelha à disposição dos corpos encontrados no crime real.

A família já havia percebido sinais de alerta antes da tragédia. De acordo com a denúncia, os pais chegaram a esconder facas dentro de casa para impedir que o filho tivesse acesso a elas, em razão de um quadro de comportamento e uso da internet considerado preocupante.

A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela NBC News e pelo The Guardian sobre o caso.

Não é o primeiro caso que liga IA a crimes

O episódio se soma a outras investigações que tentam determinar a responsabilidade de chatbots em atos de violência. Mais cedo neste ano, o procurador-geral da Flórida abriu uma apuração sobre o ChatGPT após um atirador de um ataque em massa no estado ter usado a ferramenta antes do crime.

Na ocasião, a OpenAI negou responsabilidade e disse que o chatbot forneceu apenas informações factuais e publicamente disponíveis, sem incentivar atividades ilegais.

Aravind se declarou inocente das acusações durante a audiência de instrução nesta quinta-feira (13) e segue detido sem direito a fiança. Sua advogada, Debra DeWit, pediu que o público não antecipe julgamentos, descrevendo o cliente como abalado e confuso diante da tragédia.

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