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"Foi um choque": alunas descobrem que colega de sala usou IA para criar nudes falsos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
"Foi um choque": alunas descobrem que colega de sala usou IA para criar nudes falsos

Oito adolescentes descobriram que um colega de sala usou inteligência artificial para criar montagens pornográficas falsas com fotos retiradas de seus perfis privados nas redes sociais. O caso aconteceu em uma instituição de ensino e terminou com a identificação do responsável após uma investigação que utilizou dados fornecidos pelo Telegram. O estudante respondeu por ato infracional, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

Segundo o G1, as jovens desconfiaram que as imagens haviam sido criadas por alguém próximo e denunciaram o caso às autoridades e à escola, que prestou apoio imediato ao grupo. A investigação avançou após um advogado, pai de uma das vítimas, ingressar com uma ação de produção antecipada de provas. Com autorização judicial, dados do Telegram permitiram rastrear o endereço IP e o número de telefone usados para divulgar o conteúdo, confirmando a identidade do adolescente.

Em entrevista ao G1, uma das vítimas contou que o grupo ficou abalada ao descobrir as montagens. "Tinham fotos nossas, mas que não eram realmente nossas. Eram montagens com IA dos nossos rostos em situações pornográficas", relatou.

A jovem também afirmou que o maior choque foi descobrir que o responsável era um colega próximo. “Foi um sentimento, assim, de raiva mesmo. Uma tristeza gigante, assim. Ele estava nos nossos aniversários, dava carona e trocava mensagem de carinho, tipo, de Feliz Natal, Feliz Ano-Novo. Quando ele precisava de ajuda, a gente também estava lá, né? Então foi acho que um choque para todas nós”, disse. 

O ECA considera crime a simulação de cenas pornográficas envolvendo crianças e adolescentes, inclusive quando produzidas com inteligência artificial. Quando o autor é menor de idade, o caso é tratado como ato infracional, com aplicação de medidas socioeducativas. Se o responsável for maior de 18 anos, a pena prevista varia de três a seis anos de prisão, além de multa.

Deepfake

Esse não é um caso isolado

O episódio faz parte de um cenário mais amplo de crescimento dos casos de deepfakes sexuais em escolas brasileiras. Um mapeamento da SaferNet Brasil identificou 16 casos registrados em 10 dos 27 estados brasileiros desde 2023, envolvendo ao menos 72 vítimas. A organização ressalta, no entanto, que esse número representa apenas os casos noticiados pela imprensa e que a quantidade real pode ser maior. 

O levantamento também identificou 57 agressores, todos menores de 18 anos na época dos fatos. Em quase todos os episódios analisados, os crimes ocorreram em escolas particulares. Além disso, a SaferNet confirmou de forma independente mais três casos que não haviam sido divulgados pela imprensa, dois no Rio de Janeiro e um no Distrito Federal, com pelo menos outras 10 vítimas e um agressor identificado.

Segundo a organização, a falta de um monitoramento oficial sobre esse tipo de crime dificulta dimensionar a extensão do problema. A entidade afirma que muitas vítimas deixam de denunciar por medo do julgamento ou por acreditarem que nenhuma providência será tomada, o que pode contribuir para a subnotificação dos casos.

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