A Apple retirou o Telegram da App Store nesta segunda-feira (3), depois de identificar conteúdo de abuso sexual infantil publicado por um usuário do aplicativo. A suspensão durou poucas horas e o serviço voltou a ficar disponível na loja no mesmo dia, após o Telegram remover o material e banir o responsável pela publicação.
A medida valeu para todo o mundo e impediu novos downloads do mensageiro em iPhones e iPads. Quem já tinha o Telegram instalado continuou usando o aplicativo normalmente durante o período em que ele esteve fora da loja.
Em nota, a Apple afirmou que uma revisão encontrou conteúdo que viola as regras da empresa contra material de abuso sexual infantil. A companhia disse ter restaurado o aplicativo assim que o desenvolvedor removeu o conteúdo e baniu o usuário envolvido.
O Telegram, por sua vez, informou que a Apple comunicou o caso de um único usuário, banido imediatamente após a denúncia. A plataforma afirmou ter retirado mais de 337,9 mil grupos e canais relacionados a esse tipo de conteúdo ao longo de 2026.
Depois da liberação, o perfil oficial do aplicativo publicou no X uma frase de Mark Twain sobre boatos de sua própria morte serem exagerados. Em outra mensagem, questionou se a Apple aplicará o mesmo critério a todos os apps disponíveis na loja.
"Relatos da minha morte são grandemente exagerados", escreveu a conta oficial do Telegram.
A rapidez da suspensão também gerou reação de Tim Sweeney, CEO da Epic Games, empresa que enfrenta a Apple em disputas judiciais há anos. Segundo ele, a Apple não explicou como qualquer aplicativo de comunicação em larga escala, incluindo o próprio iMessage, conseguiria operar sob o mesmo padrão usado contra o Telegram.
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Histórico de embates entre Telegram e reguladores
O caso não é o primeiro do tipo. Em fevereiro de 2018, a Apple já havia retirado o Telegram da App Store por conteúdo classificado como impróprio, medida revertida depois que a empresa reforçou seus mecanismos de proteção.
O aplicativo também responde a questionamentos de reguladores em diferentes países. Em abril, o órgão britânico Ofcom abriu uma investigação sobre indícios de compartilhamento de material de abuso sexual infantil na plataforma, acusação negada pelo Telegram.
Na semana passada, a autoridade de segurança digital da Austrália moveu uma ação judicial contra o mensageiro por suposta demora em retirar vídeos ligados a atentados de supremacistas brancos e a decapitações do Estado Islâmico. O Telegram também negou as alegações e afirmou que vai contestar o processo na Justiça.
O aplicativo ainda foi banido temporariamente no Brasil em 2023, por não fornecer às autoridades informações sobre grupos suspeitos de incitar violência em escolas, e segue removido da App Store chinesa desde 2024, junto de WhatsApp, Threads e Signal, por determinação do regulador local de internet.
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