O mercado global de hardware enfrenta um de seus momentos mais desafiadores das últimas décadas. O que começou como uma flutuação que parecia passageira acabou se consolidando como uma crise severa de memória RAM (e SSD), afetando desde o consumidor final até as maiores corporações.
O apresentador do Canaltech, Adriano Ponte, destacou toda essa crise e como ela nos afeta em sua participação no CNN Tech. Ele explica que o principal causador desse caos é a explosão da inteligência artificial, com a demanda sem precedentes por chips de memória RAM e de armazenamento pelos data centers transformando a indústria cada vez mais. Segundo alertas recentes, esse fenômeno deve prolongar a escassez para 2028, com projeções mais pessimistas até mesmo para 2030.
Encarecimento atinge até tecnologias antigas
Com aumentos que já apontavam para saltos de até 50% em curto prazo, a indústria agora se prepara para o que a Lenovo chamou de um "novo normal": um cenário de preços altos e cadeias de suprimentos estranguladas. O desespero por silício é tão acentuado que reflete até em tecnologias obsoletas. O preço das antigas memórias DDR2 registrou um aumento inacreditável de 60%, impulsionado pela falta geral de alternativas no mercado de reposição.
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Diante disso tudo, as gigantes do Vale do Silício adotaram estratégias extremas de sobrevivência. A Meta (dona do Facebook e Instagram), por exemplo, passou a reciclar módulos de memória antigos para equipar seus servidores de última geração, uma medida antes impensável para infraestruturas críticas de nuvem.
Nem a Apple conseguiu segurar os preços
Já a Apple encontrou nos produtos recondicionados (refurbished) uma saída estratégica. A empresa passou a apostar fortemente na venda de versões revisadas do MacBook para tentar blindar o consumidor dos repasses diretos de preço e manter suas margens de venda competitivas, embora já esteja encarecendo alguns produtos.
Para piorar o cenário de desconfiança, a crise ganhou contornos jurídicos graves. As três maiores forças do segmento (Samsung, SK Hynix e Micron) viraram alvo de processos judiciais sob a acusação de combinarem cartéis e inflarem artificialmente os preços da memória RAM em patamares abusivos de até 700%.
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