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Usar o celular carregando vicia a bateria ou só esquenta? Nós testamos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Usar o celular carregando vicia a bateria ou só esquenta? Nós testamos

Quem nunca ouviu que usar o celular carregando vicia a bateria ou pode até fazer o aparelho explodir? Essa preocupação acompanha os usuários há décadas, mas tem origem em uma tecnologia que praticamente desapareceu do mercado.

As antigas baterias de Níquel-Cádmio sofriam com o chamado efeito memória. Se o usuário recarregasse o aparelho antes de a carga acabar completamente, a bateria podia perder parte da sua capacidade ao longo do tempo.

Os smartphones atuais usam células de Íon de Lítio, que não apresentam esse problema. Na prática, isso significa que não existe mais o risco de "viciar" a bateria da forma como acontecia antigamente.

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Isso não quer dizer, porém, que o hábito seja totalmente inofensivo. O verdadeiro inimigo dos dispositivos modernos é outro: o calor.

O calor é o verdadeiro problema

A própria recarga da bateria gera calor. Isso acontece porque a conversão de energia elétrica em energia química dentro da célula de lítio provoca uma dissipação térmica natural, fenômeno conhecido como Efeito Joule.

Ao mesmo tempo, atividades pesadas como jogos ou reprodução de vídeos em alta resolução exigem mais do processador. Para dar conta da tarefa, o chip opera em frequências mais altas e produz ainda mais calor.

Quando essas duas situações acontecem ao mesmo tempo, o aparelho acumula calor em diferentes componentes. Em atividades mais exigentes, a temperatura pode ultrapassar a faixa dos 40°C.

Usar o celular enquanto carrega pode causar superaquecimento, que desgasta a bateria mais rapidamente (Imagem gerada por IA/ChatGPT)

Esse aumento térmico acelera reações químicas que degradam gradualmente os eletrodos da bateria. Como resultado, a capacidade de armazenamento diminui mais rápido ao longo dos anos.

O que as câmeras térmicas revelam

Para entender melhor esse comportamento, o Canaltech realizou medições com câmeras térmicas. Os testes focaram em cenários de jogos para mostrar quanto calor o próprio hardware consegue gerar enquanto o celular carrega.

Em repouso, um dos smartphones analisados registrou temperaturas entre 25,5°C e 26,7°C. Esse é um cenário considerado ideal, com o calor distribuído de forma uniforme pelo aparelho.

Ao iniciar uma partida ranqueada em um jogo online, o mesmo dispositivo chegou a 43,1°C nas bordas. O salto foi de quase 18°C. Na região do chipset, o celular chegou a marcar 46,1°C.

Mecanismos de segurança entram em ação

Para evitar danos mais graves durante o carregamento e o uso intenso, smartphones modernos contam com diversos mecanismos de proteção. Um dos principais é o chamado thermal throttling, que reduz automaticamente o desempenho do processador quando os limites térmicos são atingidos.

Celular pode atingir picos de mais de 40ºC durante o carregamento enquanto executa tarefas (Imagem: Alessandro Ferreira/Canaltech)

É justamente por isso que alguns aparelhos apresentam quedas na taxa de quadros ou pequenos travamentos durante sessões mais longas de jogo.

Além disso, o circuito responsável pelo gerenciamento de energia monitora constantemente a temperatura do sistema. Quando detecta superaquecimento, ele reduz a potência da recarga ou interrompe temporariamente o fornecimento de energia.

Na prática, isso pode fazer o celular demorar mais para atingir 100% de carga em situações de uso intenso.

O problema não é a tomada, e sim o calor

Os testes mostraram que um smartphone pode atingir temperaturas acima de 43°C ou ainda 46,1°C na região do processador.

Isso ajuda a explicar por que usar o celular carregando não é o cenário ideal. Enquanto o processador gera calor para executar tarefas pesadas, a bateria também aquece durante a recarga. A combinação dos dois fatores aumenta o estresse térmico sobre os componentes internos.

Na prática, a velha história de que o celular "vicia" quando usado na tomada não passa de um mito herdado das antigas baterias de Níquel-Cádmio.

Mas o que realmente acontece nos aparelhos é um desgaste mais rápido da bateria quando ela permanece exposta a temperaturas elevadas com frequência.

Em resumo, não é o uso durante o carregamento, em si, que diminui a vida útil, mas o quanto o calor aquece nessas circunstâncias. Portanto, a recomendação segue a mesma de sempre: não usar o smartphone durante o carregamento sempre que possível. 

Além do carregamento, em si, o uso de carregadores rápidos também podem impactar na bateria, e especialistas explicam o funcionamento nessas condições. 

Leia a matéria no Canaltech.

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