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TV aberta, streaming e YouTube: onde os jogos da Copa terão menos atraso?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
TV aberta, streaming e YouTube: onde os jogos da Copa terão menos atraso?

Se você já passou pelo trauma de ouvir o seu vizinho gritar "Gol" antes de aparecer em sua TV, acredite: não está sozinho nessa. Em jogos ao vivo, alguns segundos de diferença podem parecer pouco, mas mudam completamente a experiência, e a forma como cada tecnologia (TV aberta, streaming, YouTube) entrega o sinal de vídeo implica em mais ou menos atrasos.

Enquanto a TV aberta utiliza um caminho mais direto de transmissão, o streaming precisa passar por múltiplas etapas digitais. Isso inclui codificação, divisão em pacotes de dados, envio por servidores e reprodução com buffer, uma espécie de reserva de segundos de vídeo que garante estabilidade.

De acordo com Marcelo Eduardo Pellenz, professor dos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia de Computação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), dois espectadores no mesmo serviço podem assistir ao mesmo lance em momentos diferentes devido a essa rotas de rede e buffers distintos.

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Na TV aberta, o caminho costuma ser mais direto. No streaming, o vídeo precisa ser codificado, distribuído por servidores e armazenado em pequenos buffers antes de aparecer na tela. Por isso, dois espectadores podem assistir ao mesmo jogo com atrasos diferentes, mesmo usando a mesma plataforma.

No Instagram, o professor e criador de conteúdo Luís Felipe Mrad postou um vídeo sobre o tema, mostrando que “a transmissão não é instantânea”. Na ocasião, ele trouxe um cálculo que ajuda a entender essa diferença de transmissão entre TV e streaming:

No modelo apresentado pelo professor Luís Felipe Mrad, o tempo total de transmissão é dividido em três partes principais: codificação, propagação e decodificação.

Transmissão na TV aberta

Para a TV aberta, ele estima que o atraso seja baixo porque o caminho do sinal é mais direto. Ele resume o modelo dizendo que o tempo total pode ser aproximado por: "tempo = codificação + propagação + decodificação".

Usando a velocidade da luz (aproximadamente 300.000 km/s), ele mostra que o trajeto ida e volta até um satélite (cerca de 36.000 km de altitude) gera algo próximo de 0,24 s apenas na propagação. Somando as etapas de codificação e decodificação, ele chega a um valor total aproximado de 0,5 segundo para a TV aberta digital.

Em entrevista ao Canaltech, o criador de conteúdo reforça essa lógica ao explicar que, nesse modelo, “a TV aberta trabalha com um fluxo mais direto, com menos etapas intermediárias”, o que reduz o atraso final.

A TV aberta tende a ser a opção com menor latência porque o sinal percorre um caminho mais direto. Ele é captado, codificado e enviado por ondas eletromagnéticas até antenas e, em muitos casos, satélites.

No caso do satélite, mesmo com a distância de cerca de 36 mil quilômetros da órbita, o sinal ainda viaja praticamente à velocidade da luz, o que reduz impactos maiores de latência. Como resume Luís Felipe Mrad, “a TV aberta tem um caminho mais direto e sem tantos ‘pedágios’ digitais”.

Jogos da Copa 2026 no Streaming e no YouTube

Já no streaming, a situação é mais complexa. O vídeo precisa ser comprimido, dividido em pequenos blocos e enviado pela internet até servidores. Depois, ainda passa por redes de distribuição de conteúdo e chega ao usuário final. Nesse percurso, cada “salto” entre roteadores adiciona pequenos atrasos acumulados.

Além disso, entra em cena o buffer. Como o próprio professor destaca, o sistema prioriza “não travar a transmissão”, mesmo que isso signifique alguns segundos a mais de delay.

No cálculo apresentado, o fluxo do streaming inclui várias etapas: cerca de 4 segundos de codificação, aproximadamente 2 segundos de envio, mais um buffer de até 12 segundos antes da exibição e cerca de 0,5 segundo de decodificação final. Isso leva a um atraso total significativamente maior do que o da TV aberta.

Onde vai ter menos atraso na Copa do Mundo de 2026?

Para a Copa de 2026, o cenário deve continuar favorecendo a TV aberta em termos de velocidade, embora o streaming esteja reduzindo essa diferença.

Plataformas como YouTube e serviços de streaming vêm adotando protocolos de baixa latência, capazes de reduzir atrasos para cerca de 1 a 5 segundos em condições ideais.

Etapa do sinal TV aberta YouTube/Streaming
Codificação 0,5 segundos 4 segundos
Propagação/envio 0,24 segundos (satélite) 2 segundos
Armazenamento (buffer) Não possui 12 segundos
Decodificação 0,5 segundos 0,5 segundos
Tempo total estimado 1,24 segundo 18,5 segundos

No entanto, ainda existem limitações técnicas importantes. A qualidade da conexão do usuário, o tipo de rede (fibra, 4G ou 5G), a localização dos servidores e até o dispositivo utilizado influenciam diretamente no tempo de exibição.

Outro fator relevante é o processamento do vídeo em alta resolução. Transmissões em 4K, cada vez mais comuns no streaming, exigem mais compressão e etapas de preparação, o que pode aumentar a latência em comparação com a TV digital tradicional.

Dito isso, na Copa do Mundo de 2026, a tendência é que a TV aberta continue sendo a forma mais rápida de assistir aos jogos, seguida por satélite e, por último, o streaming. Apesar dos avanços tecnológicos, a arquitetura da internet ainda impõe etapas extras que geram atraso. Quer mais? Veja as melhores TVs de 65 polegadas para assistir à Copa de 2026

Leia a matéria no Canaltech.

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