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"Achei que ele ia me bater", diz cofundador da OpenAI sobre saída de Musk

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
"Achei que ele ia me bater", diz cofundador da OpenAI sobre saída de Musk

O presidente e cofundador da OpenAI, Greg Brockman, descreveu em depoimento judicial o momento em que Elon Musk deixou a organização em agosto de 2017.

Após ser contrariado em sua demanda por controle total da empresa, o empresário se levantou, circulou a mesa de forma ameaçadora e pegou uma pintura que havia ganhado como gesto de amizade antes de sair da sala. "Achei que ele ia me bater", disse Brockman, segundo reportagem do TechCrunch publicada na última terça-feira (6).

O testemunho ocorre no âmbito do processo judicial aberto por Musk em 2024 contra seus ex-cofundadores, incluindo Sam Altman. O julgamento está em andamento e deve se estender até a próxima semana.

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O que aconteceu na reunião de 2017

A reunião de agosto de 2017 tinha como pauta a criação de uma subsidiária com fins lucrativos da OpenAI, que até então era um laboratório de pesquisa sem fins lucrativos.

Musk queria controle "inequívoco" da nova estrutura, pelo menos, na fase inicial. Os demais fundadores propuseram divisão igualitária, com possibilidade de mais participação proporcional a aportes financeiros.

Dias antes da reunião, Musk havia presenteado cada um dos cofundadores com um Tesla Model 3. Brockman afirmou ao tribunal que interpretou o gesto como uma tentativa de conquistar apoio. Ilya Sutskever, então chefe de pesquisa da OpenAI, chegou ao encontro com uma pintura de um Tesla encomendada para dar a Musk.

Quando os fundadores disseram a Musk que não cederiam o controle da empresa, ele ficou irritado. Sentou em silêncio por alguns minutos e então disse: "Eu recuso”.

Em seguida, levantou e começou a circular a mesa. Foi nesse momento que Brockman pensou que levaria um soco. Musk pegou a pintura, começou a sair da sala e, na saída, virou-se para os presentes e perguntou: "Quando vocês vão sair da OpenAI?".

Brockman e Sutskever não saíram. Musk interrompeu suas doações ao orçamento operacional da organização e deixou o conselho em fevereiro de 2018 — seis meses depois da reunião —, afirmando que a OpenAI estava "no caminho certo para o fracasso". Ainda assim, continuou pagando pelo espaço de escritório compartilhado com a Neuralink até 2020.

musk e altman
Elon Musk e Sam Altman trocam farpas publicamente desde que Musk deixou a companhia (Imagem: Erick Teixeira/Canaltech)

O que está em julgamento

O episódio de 2017 é central para o processo. Os advogados de Musk tentam demonstrar que Altman e Brockman "roubaram uma instituição de caridade" ao converter a OpenAI em uma empresa com fins lucrativos sem ele. A defesa da OpenAI argumenta que Musk tinha exatamente o mesmo plano em mente.

Dois dias antes do início do julgamento, os advogados da OpenAI apresentaram uma mensagem de texto enviada por Musk a Brockman: "Até o fim desta semana, você e o Sam serão os homens mais odiados dos Estados Unidos”.

Brockman testemunhou por dois dias, frequentemente consultando um diário pessoal que mantinha na época. "É muito doloroso", disse sobre a exposição pública do material, descrito por ele como "escritos profundamente pessoais que nunca foram feitos para o mundo ver”.

Em depoimento, Brockman também afirmou que Musk não entendia de inteligência artificial. "Ele não sabia e não sabe de IA", disse, citando uma demonstração inicial do software que viria a se tornar o ChatGPT, que Musk teria descartado sem reconhecer o potencial.

O que veio depois

Em 2019, a OpenAI criou sua subsidiária com fins lucrativos e captou US$ 1 bilhão da Microsoft. Nos quatro anos seguintes, a empresa recebeu mais US$ 13 bilhões da mesma fonte, consolidando-se como o principal laboratório de IA de fronteira do mundo.

Brockman afirmou ao tribunal que sua participação atual na empresa vale cerca de US$ 30 bilhões. Questionado por um advogado de Musk sobre por que não doou a diferença entre esse valor e o US$ 1 bilhão que mencionou em anotações antigas, Brockman respondeu: "Veja o que construímos. O patrimônio da organização sem fins lucrativos da OpenAI supera US$ 150 bilhões”.

Sam Altman ainda não depôs no processo.

Leia a matéria no Canaltech.

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