Há mais de dez anos, mais precisamente em 2013, era apresentado ao mundo o Google Glass — audacioso projeto de óculos inteligentes da gigante de Mountain View que, infelizmente, não vingou. Os motivos foram vários, desde estética até a privacidade. Já em 2025, o Meta Ray-Ban Display chegou para, aparentemente, corrigir esses problemas.
- Ray-Ban Meta Display é eleito produto mais inovador do ano no Prêmio Canaltech
- Rival do Ray-Ban Meta agora permite escolher entre ChatGPT, DeepSeek e Gemini
O Canaltech conseguiu uma unidade dos óculos para testes, em parceria com a USCloser. Eu usei o wearable durante as últimas semanas e, nesse review, conto o que eu gostei, o que não gostei, o que ainda há espaço para melhoras e, é claro, se esse novo produto tem chances de dar certo ou se corre o mesmo risco do Google Glass.
Para importar produtos dos Estados Unidos que você não encontra por aqui, basta criar uma conta na USCloser. Você faz suas compras nos sites gringos normalmente, e a USCloser recebe por você lá nos EUA mesmo, em uma espécie de “caixa postal americana” criada exclusivamente para você. Depois, a USCloser encaminha os produtos para sua casa aqui no Brasil. É seguro, prático e rápido. Siga nosso tutorial para se cadastrar e comprar nos EUA economizando muito.
-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-
Visual de óculos, mas nada discreto
Um dos principais problemas do projeto do Google era o design: apesar de ter a estrutura de óculos, ele não era nem de longe um acessório bonito de ser usado no rosto.
A proposta era boa, ele permitir filmar com uma câmera de 720p, e tinha uma mini tela que só o usuário conseguia ver. Mas não parecia com um óculos que usamos no dia-a-dia.
Isso, naturalmente, já impedia de usá-lo o dia inteiro, e em qualquer lugar. E o Ray-Ban Display da Meta corrigiu esse problema. Não com uma maestria indiscutível — afinal, ele ainda tem aros bem avantajados, e é relativamente pesado — mas já pode ser usado em público sem que o usuário corra o risco de parecer ter saído de um filme de ficção científica.
Dependendo do formato do rosto, ele pode combinar mais com algumas pessoas do que com outras, mas ele já é bem mais “usável” do que o Google Glass.
Outro ponto importante é que a lente pode ser personalizada: você pode comprar desde a opção escura, até modelos com grau.
Naturalmente, não dá para comprar a lente em qualquer ótica para trocar: você precisa encomendar a opção com o seu grau diretamente com a Meta. Isso porque a tela fica integrada no vidro, do lado de dentro.
Privacidade para o usuário e para terceiros
Outro problema do Google Glass era a privacidade: ele não alertava quando estava filmando algo. Então levantava questões de segurança para terceiros, já que quem o vestisse podia filmar qualquer coisa sem ser notado.
O Meta Ray-Ban Diplay tem um LED em um dos lados, que pisca quando uma foto é tirada ou durante toda a gravação de vídeo.
Já para o usuário, a privacidade é poder ver mensagens no WhatsApp, ler notificações do celular e até navegar no Instagram direto na telinha dos óculos, sem que ninguém consiga ver.
O controle e navegação nessa tela é feita pela Neural Band, uma pulseira que reconhece os gestos dos dedos e da mão com muita precisão para executar comandos como selecionar uma opção na tela, voltar para a inicial ou até navegar no feed de Reels do Instagram.
O que eu gostei no Meta Ray-Ban Display?
Aqui, vou falar principalmente dos recursos que o diferem do Meta Ray-Ban comum, os óculos da Meta que já possuem câmeras e podem gravar vídeos em POV.
Caso queira saber mais sobre como é a gravação de vídeo, ou a interação com o Meta AI, eu fiz um texto completo sobre o que os óculos realmente fazem e suas principais funções.
Mas a tela do Ray-Ban Display trouxe ainda mais funcionalidades aos óculos que já eram muito boas.
O que eu gostei bastante foi a integração com apps da Meta, que permite trocar mensagens no WhatsApp ou Messenger e até ver o feed de Reels do Instagram. Tudo com a máxima privacidade possível, já que apenas você consegue ver aquilo. O único problema é que o áudio pode vazar para outras pessoas.
Quanto aos mensageiros, naturalmente não há um teclado para digitar, mas você pode mandar áudios ou até usar a função para ditar e enviar uma mensagem escrita.
O Meta AI consegue entender bem o que é dito e até escreve com as pontuações necessárias. O único problema é que só funciona em inglês, já que o vestível não foi lançado no Brasil.
Uma atualização disponibilizada após o lançamento também deu aos óculos a função de Teleprompter, algo incrivelmente útil para jornalistas ou criadores de conteúdo que gravam vídeos com roteiros.
O controle pela Neural Band também é um ponto positivo. Ela é precisa e reconhece os gestos com facilidade. Não precisei repetir nenhum comando enquato testei o aparelho, e vale destacar que ela é prática e discreta. Você não precisa levantar a mão nem tocar nos óculos para controlar o óculos por gentos: basta pinçar com o indicador ou o dedo médio e, depois, deslizar o indicador na lateral do polegar.
Esse controle é tão preciso que ele funcionava perfeitamente até enquanto eu dirigia. Mesmo com a mão no volante, eu poderia fazer os gestos discretamente, que a pulseira entendia tudo corretamente.
Isso foi bem útil para eu ouvir áudios recebidos no WhatsApp e até respondê-los rapidamente, sem precisar pegar o telefone. A tela, por ser discreta, não atrapalhava a minha visão do trânsito.
Outro ponto positivo é que o Meta Display recebe atualizações com uma boa frequência, então é possível que mais recursos sejam adicionados. Em algumas das últimas, a empresa incluiu alguns mini-jogos e a função de teleprompter.
O que ainda precisa melhorar
O principal ponto negativo é a ausência de suporte em português, mas isso é algo que pode ser corrigido por atualização, apesar de não haver nenhuma promessa da Meta. A empresa pode simplesmente ignorar o mercado brasileiro, mas não é algo impossível de acontecer.
A ausência de suporte oficial no Brasil também leva a um outro problema que a Meta pode corrigir se quiser: há um app de Mapa no óculos.
Ele tem como proposta oferecer o trajeto para qualquer lugar, como um Google Maps ou Waze, e até consegue reconhecer locais no Brasil, mas não dá a rota como nos apps de navegação.
Isso é uma função que já está disponível nos Estados Unidos, e tem potencial para ser o melhor recurso dos óculos se for liberado em mais regiões.
O que eu não gostei
O principal ponto negativo dos óculos, para mim, é o visual. Apesar de poder ser usado em público e se passar bem por um “óculos comuns”, o Meta Display é muito grande, e não fica bem em muitos rostos. É uma questão de gosto, mas eu ouvi mais pessoas reclamarem do que aceitarem tranquilamente esse visual.
Outro ponto é a bateria. Para quem usa pouco, para gravar um ou outro vídeo ao longo do dia e responder algumas mensagens, ele até pode durar um dia inteiro. Mas se você usar muito, a estimativa é bem menor.
Para um uso moderado, os óculos têm bateria para cerca de 6 horas, enquanto a pulseira dura até 18 horas.
















O Meta Ray-Ban Display pode dar certo?
Ao contrário do Google Glass, o Meta Ray-Ban Display tem muita chance para dar certo. Os problemas que eu citei podem ser relevados se comparados aos recursos que ele oferece e as possibilidades de melhorias.
O óculos tem mais funções úteis do que aparenta, e a integração com o Meta AI torna o uso ainda melhor.
Se você se interessa pelos dispositivos vestíveis da Meta, nã deixe de ler as 6 coisas realmente úteis para fazer com o Oakley Meta, outro par de óculos inteligentes da empresa
Leia a matéria no Canaltech.

