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Teoria da internet morta ganha força com boom de sites feitos por IA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Teoria da internet morta ganha força com boom de sites feitos por IA

Uma das principais afirmações relacionadas à teoria da internet morta é a de que a produção de conteúdos na internet passou a ser dominada por bots de inteligência artificial (IA). Agora, um estudo intitulado "The Impact of AI-Generated Text on the Internet" ("O impacto do texto gerado por IA na Internet", em tradução livre) traz dados que podem corroborar essa hipótese.

Estudiosos do Imperial College London, da Universidade de Stanford e do Internet Archive utilizaram o banco de dados do Wayback Machine, do Internet Archive, para realizar uma análise baseada em sites publicados entre 2022 e 2025. Como resultado, identificaram que 17,6% dos sites que foram ao ar no período foram totalmente gerados por IA, com base nos dados detalhados da análise.

A amostragem também revelou que 35,3% das páginas da web publicadas no recorte de tempo em questão foram ao menos geradas com o auxílio de sistemas de inteligência artificial, segundo os dados do estudo.

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Outro ponto interessante destacado pelos pesquisadores é que, até o final de 2022, a porcentagem de sites criados com IA beirava zero. Os números só começaram a apresentar alta a partir de então, em um período que coincide com o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022.

Sites criados por IA
35% dos sites publicados desde o final de 2022 foram gerados ao menos com ajuda da IA (Imagem: Reprodução/Imperial College London/Internet Archive/Stanford University)

Percepção do público em relação à IA na internet

O artigo revela, no entanto, que a percepção do público em relação à presença da IA está mais voltada aos possíveis impactos negativos dessa tendência. Os pesquisadores destacam uma forte preocupação com os efeitos da tecnologia, especialmente em relação à disseminação de informações incorretas e à padronização da linguagem.

Ainda assim, os estudiosos ressaltam que não foram encontradas evidências estatisticamente relevantes que indiquem uma queda generalizada na precisão das informações ou uma uniformização do estilo de escrita.

Ao analisar esses dados e comportamentos, os autores do estudo concluem que a principal questão pode estar mais relacionada à forma como os conteúdos online são percebidos pelos usuários. Isso ocorre porque sistemas de IA conseguem, cada vez mais, replicar o estilo de escrita humano e executar com precisão instruções fornecidas em prompts.

“À medida que textos gerados por IA se tornam ubíquos e indistinguíveis da escrita humana, os usuários podem passar a desacreditar a credibilidade de todas as informações online (operando sob o princípio da ‘apatia em relação à realidade’ ou, quando usado de forma maliciosa, o ‘dividendo do mentiroso’)”, escrevem os pesquisadores.

IA
Estudo revela como sites gerados por IA nos aproximam da teoria da internet morta (Imagem: Freepik)

Eles acrescentam que esse movimento pode alterar os padrões de consumo de notícias online. Nesse cenário, usuários mais céticos em relação ao uso da IA tendem a ser os mais afetados, já que demonstram maior preocupação com a qualidade do conteúdo gerado.

Mas, para os recursos de IA funcionarem, há humanos responsáveis pelo funcionamento das ferramentas. Confira como trabalham as pessoas que treinam o Gemini do Google.

Leia a matéria no Canaltech.

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