Uma edtech brasileira sediada em João Pessoa (PB) entrou para o Guinness World Records ao registrar o maior volume de redações manuscritas corrigidas por inteligência artificial em um único mês.
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A Estudo Play processou 461,1 mil textos entre setembro e outubro de 2025 por conta do Projeto Enem MG, desenvolvido com a Secretaria de Educação de Minas Gerais. No total, a plataforma corrigiu cerca de 5 milhões de redações ao longo do ano passado.
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O diferencial que tornou o feito elegível ao Guinness foi o formato manuscrito. A maioria das plataformas que usam IA para corrigir redações trabalha com textos digitados, o que elimina barreiras técnicas significativas. Na escola pública, o caminho é mais complexo: o estudante escreve à mão, o arquivo é digitalizado e só então submetido à análise da IA.
"Se colocar o computador para o estudante digitar, você cria uma dificuldade a mais para o aluno da rede pública", disse Erik Anderson, diretor administrativo e pedagógico da Estudo Play, ao Podcast Canaltech desta terça-feira (14).
Ele acrescenta que o texto digitado ainda tira autenticidade da produção: com acesso a corretor automático e dicionário eletrônico, o estudante não enfrenta as mesmas condições do Enem real.
Como a IA aprende a corrigir como o INEP
A ferramenta usa OCR (reconhecimento óptico de caracteres) para converter a escrita à mão em texto legível por máquina. Quando a IA não consegue interpretar uma caligrafia, a redação é encaminhada automaticamente para uma comissão de avaliadores humanos.
O treinamento seguiu os critérios oficiais do Enem: as cinco competências, os níveis de cada uma e as regras do manual do avaliador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP).
Uma delas, por exemplo, determina que até dois desvios gramaticais não penalizam o estudante, e, no terceiro, há desconto de 40 pontos na competência 1. Essa regra foi convertida em prompt e testada até atingir uma confiabilidade superior a 90%.
"Não é simplesmente uma IA genérica, é uma IA que foi treinada, testada e validada por especialistas na área de correção", explicou Anderson. A devolutiva gerada pela plataforma, além de entregar uma nota, aponta linha a linha onde o estudante errou e explica o porquê, o que a empresa chama de "correção textual interativa".
Anderson ressalta que a precisão da ferramenta cresce com o volume. Após 5 milhões de redações processadas, o sistema acumula padrões que o tornam mais calibrado do que era há dois anos atrás.
Próximos passos: vestibulares e municípios
A Estudo Play já atua em 18 redes estaduais, segundo informações da empresa. Para os próximos ciclos, a meta é ampliar o uso da tecnologia para vestibulares como Fuvest, Unicamp e Vunesp, e desenvolver um produto voltado ao Saeb — o Sistema de Avaliação da Educação Básica aplicado a cada dois anos nas redes municipais, que atendem ao ensino fundamental.
"O ensino é homogêneo, as aprendizagens são heterogêneas", resumiu Anderson ao explicar como a IA já gera trilhas personalizadas de estudo a partir dos erros de cada aluno em simulados.
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