Após perder o primeiro turno para Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comandou uma virada inédita no segundo turno das eleições presidenciais. Ele venceu Flávio por 51,75% dos votos, contra 48% de seu oponente.
A vitória incontestável teve contornos emocionantes nos últimos dias, com pesquisas que indicavam que ele sairia derrotado. Lula também enfrentou outros ‘rivais’, como interferência da Meta, big tech que controla Instagram, Facebook e Whatasapp.
Logo após o primeiro turno, Lula também adotou outro perfil de sua candidatura, gravando vídeos e participando de lives. A sua campanha teve como maior guinada a entrada do deputado federal André Janones (Rede), que criou um canal no whatasap chamado Exército do Lula, recrutando mais de 10 milhões de pessoas..
No primeiro discurso de sua reeleição, na noite deste domingo, Lula agradeceu aos apoiadores, partidos, coordenadores de campanha, idosos que “se sacrificaram para ir votar” e a juventude brasileira que foi às ruas nas últimas semanas em atos gigantescos pelo Brasil.
Lula demonstrou indignação com o papel das bigs techs nas eleições. Nos últimos dias, uma série de denúncias acusavam especialmente o Instagram de reduzir as atividades digitais e o alcance de peças da campanha. Ele prometeu regular as plataformas digitais.
“A gente teve que vencer a intromissão vinda de fora, através de plataformas digitais. Vamos ter que regulá-las. O crime da vida digital tem que ser tratado igual ao crime da vida real. Empresas monstruosas que estão ganhando milhões, não pagando imposto e tentando direcionar o resultado das eleições”, disse.
Ele também foi duro com seu concorrente, Flávio Bolsonaro, a quem chamou de “representante genuíno do milicianismo”. “Nunca pensei que uma pessoa mentir tanto, com tanta desfaçatez”.
Na Amazônia Legal, Lula venceu no Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão. Nos demais estados – Acre, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Tocantins – Flávio teve vitória assegurada com larga vantagem. Estes 5 estados são marcados por sua atividade agropecuária.
A reeleição de Lula foi comemorada por lideranças indígenas, quilombolas, ambientais e pesquisadores nas redes sociais.
A liderança Marcivana Sateré-Mawé, coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), disse na sua rede social que “a vitória de Lula é a vitória da juventude brasileira que foi às ruas em defesa da Democracia e pela Soberania nacional”. Ela destacou que “foi contagiante as mobilizações que ocorreram pelo Brasil afora e viraram votos em casa, na rua, no trabalho… A juventude é fé intercessora junto a Deus e Maria Santíssima.”
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) divulgou uma nota, acompanhada de Lula com o cacique Raoni, dizendo que “a democracia venceu! A soberania venceu! Os povos indígenas seguem na luta!”
Diz a nota: “Hoje celebramos não apenas a vitória do presidente Lula, mas também a força da mobilização popular em defesa da democracia, da vida e dos direitos dos povos indígenas. Essa vitória também é fruto da resistência de quem nunca deixou de lutar por um Brasil mais justo, democrático e comprometido com a proteção dos nossos territórios e da nossa diversidade. Seguiremos mobilizados, cobrando a demarcação das terras indígenas, a garantia dos nossos direitos originários e o respeito à autonomia dos nossos povos. A democracia venceu, mas a nossa luta continua! Por um Brasil de todos os povos!”
A Coiab destacou que apesar das adversidades enfrentadas durante o processo eleitoral, a Amazônia Indígena marcou presença nas urnas dos 9 estados da Amazônia Brasileira, reafirmando seu compromisso com a democracia, a soberania nacional e a defesa dos direitos indígenas. Demarcamos as urnas em defesa da vida, dos territórios e do futuro do Brasil!
“Nossa decisão de apoiar a continuidade do governo Lula, parte do princípio de não apoiar as decisões feitas no governo anterior, mas da possibilidade de um governo em que podemos dialogar, de defender a soberania, a democracia, dos dos direitos constitucionais de 1988 e, principalmente, da garantia da continuidade da demarcação das Terras Indígenas.”
Nesta semana, organizações e lideranças indígenas relataram e denunciaram a falta e apoio logístico para indígenas se deslocarem até suas zonas eleitorais. Após pressão de lideranças, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, autorizou procedimento de transporte de indígenas, quilombolas e moradores de comunidades tradicionais até os locais de votação no segundo turno das eleições. Um dia antes, Nunes Marques havia negado o pedido.
Segundo um levantamento emergencial feito pela Articulação dos Povos Indígenas do Amazonas (Apiam), 3.111 indígenas com territórios nas calhas dos rios Juruá, Médio Solimões e Alto Madeira não votaram no primeiro turno.
“Estamos cobrando dos órgãos competentes para assumir e cumprir com seu papel, que é fazer com que os parentes cheguem até seus locais de votação”, disse Mariazinha Baré, coordenadora da Apiam.


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