⚡ Últimas

Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea – 7: resultados sobre a trajetória final do desmatamento

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea – 7: resultados sobre a trajetória final do desmatamento

Por Beatriz Figueiredo Cabral, Aurora Miho Yanai, Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, Maria Isabel Sobral Escada, Cláudia Maria de Almeida e Philip Martin Fearnside


A trajetória final do desmatamento em Lábrea (ou seja, entre os anos de 2008 e 2021), obtida a partir da análise das mudanças de padrão em diferentes estágios de ocupação, está representada na Figura 6. As células que apresentaram trajetórias de mudança (isto é, “consolidação” e “expansão”) estão localizadas principalmente na porção sul de Lábrea e, apesar de sua baixa frequência em comparação com as demais (29,4%), representaram 50,4% do desmatamento em 2021 (Tabela S2). A área desmatada nas células em processo de consolidação é de 302.000 ha e a área em processo de expansão é de 190.000 ha. As células em expansão próximas a rios e aquelas em trajetórias sem mudança, com padrão difuso, estão principalmente relacionadas a ocupações antigas, como observado nas Figuras 3 e 4, e apresentam áreas desmatadas menores.

Figura 6 . Mapa final das trajetórias de desmatamento de 2008 a 2021 para a área de estudo (ou seja, o município de Lábrea + zona de amortecimento de 10 km). A trajetória sem mudança “outros” é representada pelos padrões espinha de peixe, geométrico, linear e multidirecional.

As trajetórias sem mudança são representadas por células que mantiveram seu padrão, ou seja, “consolidado”, “difuso” e “outros” (isto é, células que mantiveram padrões lineares, geométricos, espinha de peixe e multidirecionais ao longo do período de análise). A trajetória sem mudança “consolidado” apresentou a menor porcentagem de células (3,6%), mas a área desmatada foi de 17,4% (Tabela S2). Essas células referem-se a áreas onde houve intenso desmatamento antes de 2008 e, portanto, já estavam consolidadas devido à quantidade de desmatamento observada. A área total desmatada nessas células até 2021 foi de 170.000 ha.

As maiores frequências observadas pertencem às trajetórias “difuso” e “outros” de não mudança (Figura 6). As células que mantiveram o padrão difuso (sem mudança) ao longo dos anos apresentaram a maior frequência, representando 41,2% do total de células de Lábrea. No entanto, como mencionado anteriormente, o padrão difuso é caracterizado por áreas de ocupação inicial por comunidades ribeirinhas e extrativistas com dinâmica limitada, de modo que a proporção de área desmatada foi de apenas 1,4%, ou 13.600 ha (Tabela S2).

As células classificadas como “outros” representaram 25,8% da área de estudo (Tabela S2). Essa trajetória de não mudança foi responsável por 30,8% do desmatamento em Lábrea e correspondeu a uma área estimada de 300.000 ha em 2021. Do total de células classificadas como “outros”, uma área de 113.000 ha (11,6%) apresentou o padrão geométrico de desmatamento e 96.000 ha (9,9%) apresentaram o padrão multidirecional.


Notas

[1] Esta série traduz o trabalho Cabral, B.F., A.M. Yanai, P.M.L.A. Graça, M.I.S. Escada, C.M. de Almeida & P.M. Fearnside. 2024. Amazon deforestation: A dangerous future indicated by patterns and trajectories in a hotspot of forest destruction in Brazil. Journal of Environmental Management 354:art. 120354.


Sobre os autores

Beatriz Figueiredo Cabral possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e mestrado em Ciências de Florestas Tropicais (CFT) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é doutoranda em CFT no INPA, onde desenvolva uma tese sobre “Projeções para a Expansão da Fronteira Amazônica: Simulação do Desmatamento e da Degradação Florestal sob Futuros Cenários Climáticos”. Ela tem experiência em análise e manipulação de dados de sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica, programação nas linguagens R e Python e simulação do desmatamento no software Dinamica-EGO para análises espaço-temporais na Amazônia.

Aurora Miho Yanai é engenheira florestal pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e tem mestrado e doutorado pelo Inpa em ciências de florestas tropicais. Atualmente é pesquisadora no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde ela continua suas pesquisas iniciadas como pós-doutoranda no mesmo instituto trabalhando com modelagem de desmatamento na região Trans-Purus. Ela tem experiência na análise e modelagem de desmatamento no sul do Amazonas.

Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça é doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele tem mestrado em ciências florestais pela Universidade de São Paulo, (USP-Esalq) e graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), atuando junto ao laboratório de agroecossistemas. Ele tem publicado artigos sobre mapeamento de exploração madeireira utilizando técnicas de sensoriamento remoto, modelagem espacial do uso da terra, impacto do desmatamento, e eficiência de queima de biomassa florestal, entre outros.

Maria Isabel Sobral Escada possui doutorado e mestrado em sensoriamento remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e graduação em ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Ela é pesquisadora na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática da Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), São José dos Campos, São Paulo. Ela atua nos seguintes temas: monitoramento de floresta por satélite, análise da paisagem e de padrões e processos mudança de uso da terra com técnicas de processamento de imagens, mineração de dados e análise espacial, técnicas aplicadas a estudos sobre degradação florestal, desmatamento, regeneração, atividades econômicas associadas ao uso e cobertura da terra e saúde.

Cláudia Maria de Almeida possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – USP, Mestrado em Infrastructure Planning pelo Centre for Infrastructure Planning, Universität Stuttgart, Alemanha, e Doutorado em Sensoriamento Remoto pela University College London, Inglaterra / Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Tem experiência na área de Sensoriamento Remoto aplicado ao Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Técnicas de Previsão e Avaliação Urbana e Regional, atuando principalmente nos seguintes temas: Modelagem Dinâmica Espacial, Modelos de Autômatos Celulares, Sensoriamento Remoto de Alta Resolução Espacial, Análise de Imagens Baseada em Objeto e Geoinformação.

Philip Martin Fearnside é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis aqui.

O post Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea – 7: resultados sobre a trajetória final do desmatamento apareceu primeiro em Amazônia Real.

Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea – 7: resultados sobre a trajetória final do desmatamento — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado