Manaus (AM) – No Amazonas, para comunidades indígenas e ribeirinhas que já convivem com a intensificação da seca dos rios e o calor extremo desde o mês de setembro, adaptar a rotina em tempo de El Niño deixou de ser uma questão para o futuro. A mudança do clima na aldeia Jacaré, na Terra Indígena (TI) Kwatá-Laranjal, no município de Borba, no sul do estado, e na comunidade Lago do Jatuarana, na zona rural de Manaus, reflete na forma de produzir seus alimentos, navegar nos rios, buscar água e organizar a vida coletiva.
Na região, a estação é o ‘verão amazônico’, que começou em julho e vai até novembro. Além do clima extremo por causa do El Niño, os amazonenses também sofrem com os impactos dos crimes ambientais, como o aumento dos desmatamentos, das queimadas e incêndios florestais, por consequência, a péssima qualidade do ar por causa da fumaça.
A TI Kwatá-Laranjal é território ancestral dos povos Munduruku e Sateré Mawé, onde vivem mais de 4,1 mil pessoas. A terra é margeada pelas águas do rio Mari-mari, mas também recebe influência do Canumã e do Igarapé da Maloca – cursos d’água da bacia do rio Madeira. Sem apoio do poder público, os indígenas da aldeia Jacaré passaram a armazenar água em poços artesianos e realizar assembleias de conscientização sobre o uso do fogo no roçado, além de estabelecer regras para as pescarias, como pescar apenas o suficiente para o consumo.
“A aldeia recebe os auxílios do governo como Bolsa Família e cartão estadual, mas esse ano ainda não foram doadas as cestas básicas que geralmente vem [do Governo do Amazonas] para ajudar neste período”, disse à Amazônia Real a professora e liderança indígena do povo Munduruku, conta Elivane Moreira de Oliveira.
A professora destaca que o território está sendo afetado pela fumaça das queimadas e pediu providências das autoridades. Veja o vídeo:
No Lago do Jatuarana, comunidade ribeirinha localizada na margem esquerda do rio Amazonas, na zona rural da capital, o cenário atual é de pouca chuva e calor intenso. Lá são 124 famílias ou cerca de 380 moradores. O nível baixo das águas afetou os deslocamentos fluviais dos moradores e impactou a alimentação, pesca, agricultura e saúde.
“Temos que mudar a nossa rotina e lutar para providenciar água e irrigação para as plantações. Precisamos fazer pontes e outras coisas”, disse a liderança comunitária Jeane Cunha à Amazônia Real.
Ela também relata a falta de peixe, base do sustento da comunidade, e a realização de estoques de comida para enfrentar uma possível seca severa. “A gente precisa de cestas básicas, água e material de higiene nesse período”, diz Jeane sobre a necessidade dos moradores do Jatuarana.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) monitora o nível das águas no Amazonas em 13 estações, entre elas, nas cidades de Manaus (rio Negro), Humaitá (rio Madeira), Itacoatiara (rio Amazonas), Tabatinga (rio Solimões).
De acordo com o boletim de alerta hidrológico mais recente (29/09) do SGB, o nível das águas na bacia do rio Amazonas está em processo acentuado de vazante.
Jeane Cunha diz que na comunidade do Jatuarana, que recebe a influência da hidrologia das águas do rio Amazonas, a situação do deslocamento fluvial – o principal transporte são os barcos – “deve piorar nos próximos dias com a descida das águas”. “O acesso à comunidade é feito de barco pelo Lago do Puraquequara, que já está seco”, diz ela. Puraquequara fica na zona leste de Manaus. Em 2024, o lago secou totalmente.

Com a redução das chuvas, os indígenas da aldeia Jacaré, margeada pelo igarapé que recebe as águas do rio Mari-Mari, observam também a seca chegar mais rápido. O manancial deságua no rio Abacaxis, que por sua vez é um afluente da margem direita do rio Madeira.
Nesta região, o SGB monitora a hidrologia na estação em Humaitá, no sul do Amazonas. Nesta área, a cota do rio Madeira marcou 10,75 metros, segundo o boletim divulgado no dia 29 de setembro. Na região, a maior seca foi registrada em outubro de 2024, quando o nível do Madeira baixou para 8,02 metros. Em 2023, as aldeias da TI Kwatá-Laranjal sofreram com outra seca.
As secas dos rios Negro e Solimões determinam se serão graves os impactos socioamientais e econômicos na Bacia Amazônica.
O Porto de Manaus, responsável pela medição da cota na capital, diz que o rio Negro enfrenta uma forte e acelerada vazante este ano. O nível medido nesta sexta-feira (2) chegou a 18,97. Mas de 1o. a 30 de setembro, o Negro baixou muito rápido, 5,21 metros: caiu de 24,09 metros para 18,88 metros.
Nas duas maiores secas recentes, foi no mês de outubro que o Negro marcou seus recordes por causa de fenômenos climáticos: em 2024, o nível mínimo foi de 12,66 metros; e, em 2023, desceu a 12,70 m.
Desafios nos deslocamentos fluviais

A vazante acentuada nos cursos dos igarapés nesse período tem custo direto no bolso das famílias indígenas. Para atravessar trechos onde a canoa não passa mais, os moradores pagam R$ 20 pela catraia, um pequeno transporte fluvial amazônico.
“O nível da água está baixo e com base nessa realidade, vivemos momentos de desafios que nos leva a muitas dificuldades, principalmente para chegar até a cidade de Nova Olinda do Norte”, diz Elivane.
Para enfrentar a seca, todas as famílias da aldeia possuem poço artesiano, segundo Elivane. “A água é mantida por eles em tempo de seca e de cheia”, afirmou a professora.
Se a estiagem continuar, a expectativa é que, por volta de meados de outubro, o trajeto para a comunidade Jatuarana, no rio Amazonas, deixe de ser feito pelo Lago do Puraquequara e passe a ser pelo rio Negro, de barco, direto até a escadaria do Porto de Manaus, na zona sul da cidade. “Vai ficar mais caro a passagem e o transporte para vir para a cidade”, explica a liderança Jeane Cunha. Manaus é banhada tanto pelo rio Negro quanto pelo rio Amazonas.
A comunitária disse que não sente a falta de apoio do poder público para enfrentar os impactos da seca, pois a comunidade sobrevive sem assistência do governo estadual.
“Quando eles aparecem, já está terminando a seca. Nós precisamos muito de apoio. O que eles precisam é sair dos gabinetes e vir para as áreas rurais ribeirinhas, para ver as dificuldades que o povo sofre na zona rural”, reagiu.
A situação atual vivida pelos ribeirinhos do Jatuarana e os indígenas Munduruku e Sateré-Mawé ocorre em meio à confirmação do “Super El Niño”, que pressiona a região amazônica e agrava as alterações no regime de chuvas, a ocorrência de temperaturas mais altas e incêndios florestais. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estimou em 95% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade “muito forte” até dezembro de 2026.
Em agosto passado, comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, reunidas na Audiência Popular Impactos do Super El Niño no Amazonas, exigiram ações permanentes de adaptação climática das autoridades do Amazonas para enfrentar as altas temperaturas, secas dos rios, falta de água potável e de alimentos, além da poluição do ar por causa dos incêndios florestais e queimadas. As lideranças também exigiram a conclusão do Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas.
Chuva abaixo do normal

Em resposta à Amazônia Real, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que nos meses de julho, agosto e setembro as chuvas ficaram abaixo da média climatológica, em Manaus. Em julho, a média prevista de precipitações era de 67,1 mm (milímetros), mas só choveu 15,4 mm. Em agosto, não houve registro de chuva – a média era 56,1 mm. Em setembro, choveu apenas 21,8 mm, quando eram esperados 79 mm.
Segundo a previsão climática do Inmet, a tendência é de chuvas abaixo da média climatológica no trimestre de outubro a dezembro, com déficits que podem chegar até 100 mm. Em outubro, a previsão é de chuva com precipitações que devem variar entre 40mm e 60mm, com temperaturas médias entre 27,5 °C e 30 °C.
Apesar da estiagem ser característica desta época do ano, o Inmet reforça que a influência do El Niño pode intensificá-la ao inibir a formação de nuvens e de chuva, principalmente de outubro a dezembro, mas que ainda podem ocorrer episódios de precipitação.
“Manaus encontra-se em uma época do ano caracterizada por menores volumes de precipitação. No entanto, isso não significa ausência de chuva, podendo ocorrer episódios de precipitação ao longo do período”, analisou o Inmet.
Arco de desmatamento
Os moradores da Terra Indígena Kwatá-Laranjal estão sentindo a crise climática mais severa pela escassez de chuvas e pelas altas temperaturas. Mas também destacam o aumento das queimadas devido aos desmatamentos na região – que não é uma ação do clima e sim do agronegócio.

A professora Elivane Oliveira afirma sentir a mudança do clima se intensificar. A temperatura na região oscila entre 25°C e 36°C. “As nossas plantas estão morrendo com o calor extremo. Está com mais de meses que não chove e assim o calor toma conta prejudicando o ar, facilitando mais queimadas na natureza. A nossa grande preocupação é com o meio ambiente”, afirmou a liderança.
De acordo com dados do monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no mês de setembro deste ano foram registrados 3.726 focos de queimadas no Amazonas, uma alta de 295,5% em relação ao mesmo período de 2025.
O território Kwatá-Laranjal é impactado também pela fumaça das queimadas, resultado dos desmatamentos de áreas agropecuárias no entorno da rodovia BR-319.
Borba é um dos dez municípios amazonenses que integram a região do arco do desmatamento – área onde se concentram os maiores índices de desmatamento na Amazônia Ocidental.
Na última semana de setembro, a fumaça diminuiu na TI Kwatá-Laranjal com a chegada das chuvas recentes, mas elas foram fracas. “Apenas chuvisco, sem chuva forte”, disse a professora Elivane.
Mas a crise continua no Amazonas, e a capital, Manaus, segue tomada pela fumaça. Um incêndio em área de vegetação às margens da AM-070, em Iranduba, deixou o distrito de Cacau Pirêra coberto por fumaça na tarde de quarta-feira (30). Até a manhã de quinta-feira (1º), o incêndio estava 80% controlado.
Por causa da fumaça, Manaus atingiu níveis graves de poluição do ar às 19h36 de quarta-feira (30), conforme o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
A capital registrou 234,5 microgramas de material particulado fino (PM2,5) por metro cúbico (µg/m³), associado às queimadas na floresta. A medição foi feita no bairro Compensa, na zona oeste, próximo à ponte que liga Manaus a Iranduba.
Na quarta-feira (30), um incêndio em área de floresta na região do Lago do Canaçari, na zona rural de Itacoatiara, chegou ao 11º dia. O ar de Itacoatiara piorou e com o incêndio ainda ativo, a fumaça voltou a cobrir a região e alcançou a zona urbana.
O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) monitora o incêndio desde 19 de setembro, quando o fogo foi detectado pela primeira vez. As chamas já consumiram 832,54 hectares – o equivalente a 1.166 campos de futebol.
Crianças sem aulas
Maria Natalícia Munduruku disse à Amazônia Real que a fumaça intensa das queimadas tem prejudicado a saúde do seu filho, que enfrenta problemas respiratórios. De acordo com a liderança indígena, a situação também tem afetado outras crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias na TI Kwatá-Laranjal.
“Nosso clima está repleto de fumaça, muita fumaça na região do igarapé do Jacaré. Eu tenho um filho pequeno que tem problemas de saúde. Ele não foi à aula por causa da fumaça. Passou mal à noite, com dor no peito. Essa fumaça está prejudicando muito as crianças, os idosos e as pessoas que têm problemas respiratórios”, contou.
Ela cobrou mais atenção do poder público para as comunidades do interior e os povos indígenas diante do avanço das queimadas no Amazonas. “A gente pede esse apoio das autoridades, para que tomem providências diante das queimadas. Cuidando bem da natureza, vamos ter uma vida saudável e tranquila”.
A combinação de falta de chuvas, aumento das queimadas e baixa qualidade do ar interfere na saúde da população amazonense. Em entrevista à agência, o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia, reforçou que crianças e idosos estão entre os grupos mais impactados pela exposição contínua à fumaça tóxica, associada a sintomas de inflamação pulmonar, tuberculose, rinite, sinusite alérgica, bronquite e exacerbação de doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca.
O que dizem as autoridades
No dia 23 de setembro, o governador Roberto Cidade Filho (União Brasil) pediu ao governo do presidente Lula reforço para combater o fogo das queimadas e incêndios florestais no Amazonas, com envio de equipes de bombeiros de outros estados para os municípios que não têm equipes.

Procurado pela Amazônia Real, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informou que o Ciman Federal, coordenado pelo Ibama, recebeu o pedido de Cidade no dia 23 de setembro. Segundo o MMA, foram acionados combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus). Um helicóptero com helibalde (reservatório flexível) também foi mobilizado para Careiro da Várzea, a 25 km de Manaus.
“Em 30 de setembro, após a chegada de chuvas que contribuíram para o controle dos focos de incêndio, o governo do Amazonas dispensou o apoio do Respad”, disse o MMA.
O Ministério do Meio Ambiente não informou quantos brigadistas foram enviados nem quando as equipes chegaram ao estado. Também não disse se outras aeronaves foram destinadas ao Amazonas, além do helicóptero citado.
O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas disse à reportagem que realiza um levantamento junto aos gabinetes locais para mapear procedimentos e ações focados na prevenção e mitigação de riscos climáticos no estado.
Até a publicação desta reportagem, o MPF não informou quais procedimentos já foram identificados nem se existem ações específicas relacionadas à adaptação climática nos municípios e comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e periféricas.
Adaptação atrasada

Enquanto os moradores de comunidades tradicionais ribeirinhas e indígenas buscam soluções para lidar com os impactos da crise climática no cotidiano, o Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas do Amazonas, uma das metas relacionadas à COP30, ainda não está em prática no estado. O documento estava previsto para ser entregue em setembro deste ano, segundo informações do Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM).
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) foi procurada pela Amazônia Real desde 21 de setembro para informar por que o plano não foi divulgado e se existe uma nova previsão, mas não respondeu aos questionamentos. A Sema também não informou onde o plano poderá ser consultado quando estiver disponível e como as medidas previstas serão colocadas em prática.
Como publicado anteriormente pela reportagem, o atraso do Amazonas em concluir seu plano de adaptação climática ocorre enquanto o país define diretrizes nacionais para a elaboração do planejamento climático nos estados e municípios que enfrentam secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos extremos. O Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima 2024–2035) estabelece como meta nacional garantir que todos os estados e ao menos 35% dos municípios brasileiros tenham planos de adaptação até 2035.
No entanto, a meta do governo federal não representa um prazo legal individual para cada estado. Em nota enviada à Amazônia Real no dia 11 de setembro, o MMA informou que a Lei nº 14.904/2024 não estabeleceu prazo obrigatório específico para que cada estado ou município elabore seu plano, nem prevê sanções pelo não cumprimento.
Mesmo com a ausência de um plano climático específico, o Ministério declarou que ainda estabelece que estados e municípios considerem os riscos climáticos e vulnerabilidades na construção de políticas setoriais, de desenvolvimento e de ordenamento territorial.
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
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Combate à queimada no entorno da rodovia Manoel Urbano, AM 070, no Cacau Pirêra. ( Foto: Raphael Alves/ Amazônia Real).
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Esta reportagem foi produzida com a doação dos leitores na campanha da Amazônia Real para custear matérias sobre clima, política, ameaças aos defensores socioambientais e violações de direitos humanos. É isso que o jornalismo independente e investigativo pode fazer. Faça a sua contribuição pelo PIX: doe@amazoniareal.com.br
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