A Unesco anunciou hoje, em Busan, a segunda maior cidade da Coréia do Sul, que a Amazônia foi contemplada com a inclusão de dois dos seus teatros, famosos internacionalmente, como patrimônio cultural mundial da humanidade. O reconhecimento foi divulgado durante o 8º comitê internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, (Unesco).
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional apresentou a candidatura dos dois teatros, mas só o de Manaus recebeu a aprovação da Unesco e conseguiu superar um imbróglio na candidatura do país. O órgão do governo brasileiro defendia a inclusão dos dois teatros juntos, reconhecidos pelo conjunto.
O parecer técnico do Icomos (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios), embora ligado à Unesco, recomendou que apenas o teatro Amazonas fizesse parte da lista. Matéria publicada hoje pela Folha de S. Paulo relata a trajetória desse reconhecimento:
“A reunião do comitê, em Busan, é a etapa final de um longo processo, que começa com a inscrição feita pelos próprios países e passa por avaliações técnicas de órgãos independentes. O grupo, presidido pelo diplomata Lee Byong-Hyun, analisa em conjunto durante as sessões os textos apresentados pelas candidaturas, que devem seguir uma série de regras.
Caso estejam de acordo com as normas, os países-membros podem sugerir ainda emendas e alterações e, só depois, aprovar ou negar o novo patrimônio. O Iphan defendia a aprovação integral da candidatura como ela foi feita.
Quem decide novas inclusões é um comitê formado por 21 países: Armênia, Azerbaijão, Bangladesh, República Tcheca, Granada, Jamaica, Cazaquistão, Quênia, Kuwait, Líbano, Mongólia, Peru, Polônia, Coreia do Sul, Senegal, Suíça, Togo, Turquia, Ucrânia, Tanzânia e Vietnã”.
O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896. O Teatro da Paz, 20 anos antes, em Belém. Ambos construídos durante o ciclo da borracha da região. O prédio paraense é tombado pelo Iphan desde 1963, e o do Amazonas, desde 1966.
Relata a Folha: “O órgão apresentou argumentos de que os dois teatros se conversam. ‘Eles têm uma relação de complementaridade’, afirma Deyvesson Gusmão, presidente do Iphan.” Segundo ele, há uma ligação do contexto histórico, econômico e político em comum na época da construção dos locais, que foram importantes na formação urbana das duas metrópoles da Amazônia”.
Salta aos olhos de quem conhece muito bem por dentro – e durante os espetáculos que apresenta – a harmonia dos dois teatros, graças a meio século de exportação de borracha (a era atual, das commodities, jamais levantará coisa igual). As duas casas sempre estiveram no centro de uma polêmica sem fim entre os amazonenses e os paraenses. Essa rivalidade é de muito tempo (alimentada pelo provincianismo dos dois Estados) e relançada pelo órgão da Unesco, do comitê representantes como França, Inglaterra ou Alemanha. Jaraqui, representando o Amazonas, e piramutaba, o Pará, voltarão a competir? É objetivo desses nossos estimados neocolonialistas – neste caso, com assento asiático.
O comitê da Unesco pode tentar convencer a opinião pública de que houve uma reconsideração na escolha apenas do Teatro Amazonas para ser patrimônio da humanidade. Feita a correção, no noticiário da Globo foi mais enfatizado o teatro da capital amazonense. Os dois entrevistados estavam em Manaus e quase não se referiram ao teatro paraense, que é da paz (ma non troppo, como diria Carlos Gomes, autor da mais conhecida e admirada ópera brasileira, O Guarani. O teatro da Paz, aliás, é de ópera.
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