Muita fantasia conflita com leitura crítica! Na Ilha Tupinambarana*, fantasias transformaram-se em alucinógenos viciantes! E o pior: até em momentos dolorosos a massa analfabetizada se mantém negligente, descuidada tal qual em sono profundo.
Já na primeira semana de junho/2026, a “capital brasileira do folclore*”, em meio a balbúrdias/descasos, fora surpreendida com a Operação Excelsior idealizada pela FAB* e Voluntários do Sertão* em parceria com a administração local. A Operação anunciava atendimentos médicos amplos e variados. Movida por carências diversas, a comunidade aceitou e ainda se balanceou sob o velho ritmo: um pra cá; dois pra lá.
Hum!… Hum!… Que será?… Que será?… Que propósitos se escondem sob fardas, armamentos, voluntariados empresariais em parceria com gestores locais?…
Impactado com a surpresa, compadre Joca*, cabreiro de natureza, na fila há dois dias desde a madrugada, sonhando com um atendimento oftalmológico, suspirou: “-Hummm!… Sei não! Gato escaldado de água fria tem medo!…”
Apesar das dúvidas, as propagandas contagiaram a massa! Joca se arriscou. Outros e outras o acompanharam; desafiaram as próprias limitações, haja vista o volume de adoecidos em esperas por atendimentos e sem respostas confiáveis.
Quem acompanhou a muvuca da Operação Excelsior, no porto da Ilha, comprova os fatos: naquele momento, o peso das fantasias alucinógenas machucou/decepcionou centenas de corpos, mentes e almas sofridas, cansadas de promessas. Por um momento vivenciou-se o falseamento das propagandas sobre a atenção para com a saúde pública – “Direito de TodXs e dever do Estado”.
Infelizmente a dormência ainda é profunda: concursos bumbalinos voltados a lixos coloridos de azul e vermelho nas ruas da ‘cidade do folclore’ seduzem, entorpecem a razão e aumentam as filas de escravizados felizes; a massa sofrida esquece o pesadelo e tudo volta à estaca zero.
Sem dúvidas, a empolgação sobre os anúncios da Operação Excelsior foi grande! O sonho da cabocada, após tantas mendicâncias inglórias, apontava um raiozinho de esperançar sobre o caos dos serviços públicos.
O embate por atendimento foi doloroso! Filas quilométricas no porto da cidade e em outros locais anunciados. Seres humanos em situações diversas camuflavam dores, fome, fraqueza, desconfortos por inacessibilidade a assentos, a banheiros… Dificuldade para conseguir uma ficha nem se fala!… Sem contar, o volume de armas até o pescoço! A justificativa era “segurança” a possíveis reações daquela massa sofrida exigindo respeito à dignidade; exigindo o cumprimento do que determina a Constituição Federal/88: “Todos são iguais perante a Lei!”. Quem experienciou o drama confirma!
Os últimos das filas

Na contramão dos desconfortos, enfileirados tentavam descontrair compartilhando memórias antigas de cuidados naturais de saúde sem filas, sem humilhações e sem rastejamento a direitos universais transformados em favores.
Foi aí que compadre Joca lembrou Tevardo quando este foi à luta pelo TFD*.
Outras e outras histórias e até fofocas camuflavam/aliviavam a canseira durante as esperas.
A história das filas, porém, não se encerra no “atendimento” aqui relatado. Continua com perfis variados, intermináveis cuja lógica denunciam o espectro do sistema de “saúde” na terra dos bumbás: disfarces em agendamentos de consultas, exames… Na tapeação, as filas engatinham silenciosas, silenciadas… Bom lembrar: na lentidão tortuosa, muitas e muitos já partiram sem quaisquer atenção ou respostas justas. Há como negar ouomitir?…
Vale trazer às memórias: não é pequeno o volume de investimento público em propagandas fantasiosas: camisetas, banners, abanos, bonés e outras bugigangas… E, na contramão, a precariedade dos serviços públicos emergenciais (ou não) no Município pedem ‘socooooorro’!
É o que está posto: os sonhos por atenção médica digna, os esforços desperdiçados para silenciar os desconfortos sentidos na pele, na alma por dois ou três dias, no porto de Parintins, a ausência de teoria e prática revolucionárias na ética dos oprimidos, impuseram o recuo e o silêncio: muitos voltaram pra casa frustrados, conformados com “a vontade de deus” e mais ainda adoecidos.
Pra surpresa e revolta dos enfileirados do porto, já há três dias na mendicância e sem quaisquer orientações prévias, UBSs e Grupos Operadores liberaram fichas e encaminhamentos privilegiando aliados, consortes e etc. Acordos internos??? Artimanhas eleitoreiras??? Problematizar é direito!
E as filas continuam… Os serviços de saúde ditos públicos estão sob o domínio do mercado do adoecimento aliado à politicagem instalada: quanto mais adoecidos, mais filas, mais votantes encabrestados e mais lucratividade político laboratorial!
Impossível também abafar uma realidade até desapercebida na sonolência das massas: dadas às precariedades de atendimentos nas UBSs e Hospitais, o próprio sistema forja “alternativas comerciais”: encaminha pacientes a clínicas e laboratórios particulares, via de regra, propriedades de profissionais contratados pelo SUS. Testemunhos não faltam!!!
Sabedorias Xamânicas referem-se ao vômito, às fezes, ao suor, às lágrimas, ao mijo e ao espirro como espíritos libertadores… A problematização em pauta propõe alternativas de escolha: vomita-se o que faz mal ou envenenamos ainda mais nossos corpos mental, emocional, físico, espiritual e político.
Quem sabe, após as intensas chicotadas, a massa vire povo, anuncie toadas revolucionárias e atice os últimos da fila a ocuparem seus legítimos espaços na Vida e na História!

Falares de Casa
Capital Brasileira do Folclore – Referência midiática à cidade Parintins/Am – território da festa folclórica dos bumbás Garantido e Caprichoso.
Cipriano Ricardo Flores Magón: Fundador e redator do Periódico Libertário Regeneración e do Partido Liberal Mexicano. Partiu em 1922, aos 49 anos, no Complexo Penitenciário, Kansas, Estados Unidos.
Compadre Joca – Apelido de um Companheiro da resistência.
FAB – Força Aérea Brasileira
Ilha Tupinambarana – Cidade de Parintins, localizada no estado do Amazonas, 369 km de Manaus.
TFD – Tratamento Fora de Domicílio. Portaria SAS/MS n0 55/1999.
Voluntários do Sertão – ONG de atendimento à saúde, criada em Ribeirão Preto (SP) 2000.
O post FilhXs das Filas apareceu primeiro em Amazônia Real.

