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Número de eleitores idosos cresce 30% no DF, enquanto o de jovens cai 39%

Metrópoles(há cerca de 2 horas)
Número de eleitores idosos cresce 30% no DF, enquanto o de jovens cai 39%

O eleitorado jovem do Distrito Federal, na faixa de 16 e 17 anos, em que o voto não é obrigatório, caiu em relação às eleições de 2022. A retração foi de 38,7%, índice que deixa o DF em posição inferior à média nacional no voto facultativo. No país, a adesão desses jovens ao sistema eleitoral também diminuiu, mas em um patamar menor, de 14,5%.

Em contrapartida, os idosos com título de eleitor regularizado mantêm uma tendência de crescimento. De 2022 para 2026 foi registrada uma alta de 30%. Os dois públicos retratados nesses dados possuem uma coisa em comum: o voto facultativo.

No Distrito Federal, a idade média dos candidatos aumentou em comparação a 2022. Nas últimas eleições, a média de idade dos candidatos ao senado, por exemplo, era de 53,5 anos. Já em 2026, a média é de 59,3 anos. Segundo Henrique Hellas, cientista político, o aumento da idade média dos candidatos e a falta de engajamento eleitoral dos jovens são fenômenos que possuem causas diferentes, mas que não são independentes um do outro.

“O envelhecimento dos candidatos, ele vem da lógica interna dos partidos, então eu sempre avalio tempo de filiação, capacidade de recurso, campanha, capacidade de arrecadação e estrutura de poder já consolidada. Quando a gente olha para a queda do eleitorado jovem, ela vem de uma outra raiz, e está mais ligada ao comportamento e a demografia. Também existe uma descrença muito grande nas instituições como um todo, e como o voto nessa faixa etária é facultativo, quem não se sente motivado simplesmente não vai tirar o título para participar”, explicou.

GDF vai na contramão

Mas esse comportamento de aumento de idade não é uniforme entre os cargos. Se por um lado o eleitorado jovem caiu e os candidatos a vários cargos envelheceram em quatro anos, a disputa mais visível do Distrito Federal, a de governador, foi na contramão: ficou 4% mais jovem. Em 2022, a média de idade era de 53,3 anos, já em 2026 a média de idade é de 51,1 anos.

Hellas explica que esse dado precisa ser lido com cautela, já que diferente de outros cargos, que contam com um grande número de candidatos e diluem a média de idade, a disputa para o Governo do Distrito Federal (GDF) tem apenas 11 candidatos, o que torna esse dado uma peculiaridade, e não necessariamente uma tendência.

“Votar é a nossa cara”

Em novembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em parceria com os TRE’s lançou a campanha “Votar é a nossa cara”, visando estimular os jovens a partir dos 15 anos de idade a emitir o título de eleitor. A iniciativa buscou movimentar as redes sociais do TSE, e trouxe figuras públicas para gerar identificação com os eleitores jovens: O DJ Alok e os podcasters Mítico e Igão, do Podpah, eram os rostos da campanha.

Segundo Henrique Hellas, embora as campanhas pontuais do TSE tenham gerado resultados reais e positivos na atração de jovens eleitores em anos de eleições presidenciais polarizadas, esse modelo de engajamento não se sustenta a longo prazo.

“Em 2024, na semana do jovem eleitor, ele triplicou o número de adolescentes tirando o título: foram mais 64 mil títulos novos em relação a 2020. E, em 2022, com campanhas que envolviam artistas como Anitta, influenciadores e afins, o país ganhou mais de 2 milhões de novos eleitores jovens. Quando a gente pega um ano de eleição municipal, você tem uma queda enorme desse engajamento, e justamente porque os temas nacionais perdem força”, afirmou.

O cenário para 2030 pode ser diferente

Para Guilherme Augusto Mota, especialista em direito eleitoral, esse cenário pode, a partir de 2030, deixar a política menos conectada com a realidade dos jovens, e tirar da pauta temas importantes para as novas gerações.

“Existe um efeito de longo prazo e o voto é um hábito político. Quanto mais tarde ocorre o primeiro contato com a eleição, mais frágil pode ser esse vínculo futuro com a democracia representativa. E não se trata aqui de apenas perder votos de jovens em uma eleição, mas de enfraquecer a formação dessa nova geração de eleitores e lideranças”, afirmou.

Para o especialista, o engajamento politico não pode ser construído apenas em ano eleitoral.