A Polícia Federal adiou o depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que estava previsto para ocorrer por videoconferência na manhã desta quinta-feira (27). Problemas técnicos de conexão à internet impediram a realização da audiência, e a oitiva foi remarcada para sexta-feira (27), sem confirmação oficial de horário.
A investigação em curso apura a relação de Vorcaro com servidores do Banco Central. De acordo com apuração da analista de política Larissa Rodrigues, a Polícia Federal também deve questionar Vorcaro sobre um grupo no WhatsApp do chamado “Projeto DV”.
“Era um grupo dos organizadores, do pessoal ligado a ele e influenciadores para tentar fazer postagens nas redes sociais tentando defender Daniel Vorcaro e contra o Banco Central”, explicou Larissa durante o Bastidores CNN desta quinta.
A analista relatou que, de acordo com informações obtidas junto a delegados da Polícia Federal, alguns influenciadores teriam recebido valores de até R$ 2 milhões para realizar esse tipo de postagens.
“Agora tem toda essa checagem por parte da Polícia Federal sobre o que há de verdadeiro ou não“, completou Larissa.
Suspeita de informações privilegiadas
O depoimento que seria realizado nesta quinta trata da suspeita da Polícia Federal de que Vorcaro teria recebido informações privilegiadas de servidores do Banco Central enquanto atuava à frente do Banco Master, com o objetivo de evitar a liquidação do banco.
Os investigadores encontraram um grupo de WhatsApp no celular do ex-banqueiro que contava com a participação dele e de dois servidores ligados ao Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, identificados como Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Nas mensagens do grupo, a Polícia Federal identificou o que considera informações privilegiadas. Os investigadores querem que Vorcaro esclareça a natureza dessa relação com os servidores, o que recebia e se havia alguma contrapartida oferecida a eles em troca.
Estratégia da defesa
Segundo pessoas ligadas à defesa de Vorcaro, o empresário pretende responder a todas as perguntas relacionadas ao inquérito específico sobre o Banco Central, sem avançar para temas políticos ou do Judiciário.
A expectativa, de acordo com apuração de Larissa Rodrigues, é de que ele negue qualquer tipo de influência sobre os servidores do Banco Central.
Este será o primeiro depoimento de Vorcaro desde sua prisão preventiva, ocorrida em março deste ano. Também é a primeira audiência após a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitarem duas tentativas de delação premiada apresentadas pela defesa.
Recentemente, Vorcaro trocou de advogado, passando a ser representado por Daniel Bialski, e, segundo fontes ouvidas pela analista da CNN, a estratégia de uma eventual colaboração com a Polícia Federal ainda não foi definida pela nova defesa.

