As doações de leitores sustentaram o avanço do The Guardian nos Estados Unidos e levaram a operação norte-americana do jornal britânico ao maior faturamento desde sua chegada ao país, há 15 anos. A divisão registrou receita de US$ 81,4 milhões no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2026, segundo apresentação interna obtida pelo Axios. O valor representa alta de 25% ante 2025.
Eis a receita anual do Guardian U.S. nos anos fiscais de:
- 2023 – US$ 52,3 milhões;
- 2024 – US$ 52,1 milhões;
- 2025 – US$ 65,3 milhões;
- 2026 – US$ 81,4 milhões.
A receita cresceu 25% ao ano nos 2 últimos exercícios fiscais. O avanço coincide com uma estratégia de expansão iniciada por volta de 2022, quando o Guardian decidiu investir no mercado norte-americano. Desde então, contratou mais de 100 pessoas nos EUA. A redação passou de 75 para 150 profissionais, enquanto a equipe de negócios cresceu de 25 para mais de 50 integrantes.
O Guardian U.S. também teve em 2026 seu melhor resultado anual. A operação registrou US$ 34,5 milhões em “contribuições”, métrica usada pelo grupo como medida de lucro. A divisão norte-americana depende da matriz britânica para cobrir parte dos custos centrais, como produto e engenharia, o que ajuda a sustentar as margens.
Eis o resultado anual do Guardian U.S. em “contribuições” nos anos fiscais de:
- 2023 – US$ 25,1 milhões;
- 2024 – US$ 15,8 milhões;
- 2025 – US$ 24,5 milhões;
- 2026 – US$ 34,5 milhões.
O crescimento se dá em um momento de consolidação no setor de mídia tradicional. Outros veículos britânicos também buscam ampliar presença nos EUA, atraídos pelo mercado de assinaturas e publicidade. O Guardian, porém, adotou um caminho diferente ao apostar em contribuições voluntárias de leitores, em vez de restringir o conteúdo por assinatura.
Segundo Steve Sachs, diretor-geral do Guardian U.S., só 8% da receita com leitores vinha de fora do Reino Unido há 10 anos. Hoje, essa fatia supera 40%.
A apresentação interna indica que o Guardian espera arrecadar quase US$ 100 milhões no ano fiscal atual, que se encerra em 31 de março de 2027. O grupo planeja abrir 20 vagas nos próximos meses, principalmente nas áreas de vídeo, visual, foto e design. A expansão busca reforçar a cobertura para além da política e de notícias factuais, com temas de interesse crescente do público norte-americano, como Copa do Mundo e futebol.
Leia mais:
