O prolongado conflito no Oriente Médio continua gerando ondas de impacto sobre a economia global, com consequências que vão além dos preços do petróleo e dos derivados.
Ciro Dias Reis, colunista do CNN Money, analisou os múltiplos desdobramentos da guerra e o impasse nas negociações de paz, destacando a dificuldade de se fazer previsões sobre os próximos passos do conflito.
“É um vai e vem que a gente está vendo ao longo dos dias, das semanas, e é difícil fazer um prognóstico exato”, afirmou Ciro Reis.
Segundo ele, o mais importante neste momento é acompanhar e fazer um balanço dos custos acumulados, que vão desde vidas humanas até os impactos financeiros sobre o preço do petróleo e dos fertilizantes.
Apesar de o acordo de paz ter parecido próximo em determinado momento, as negociações aparentemente recuaram.
Em uma perspectiva de médio e longo prazo, o colunista apontou que o conflito também coloca em evidência o debate sobre as opções energéticas dos países nas próximas décadas.
De um lado, Donald Trump tem defendido a expansão do uso do petróleo. De outro, a China tem apostado fortemente em energia elétrica, baterias e energias alternativas.
“Como pano de fundo dessa guerra, o que a gente pode pensar é no futuro do uso da energia pelos países ao longo dos próximos anos, as próximas décadas”, disse Reis, acrescentando que, nesse campo, a China está “evidentemente muito à frente”.
Impactos econômicos e revisões de crescimento
Ciro Reis ressaltou que, mesmo que o Estreito de Ormuz fosse reaberto imediatamente, a normalização da situação demandaria muito tempo e esforço.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) já revisou sua previsão de crescimento da economia global de 3,3% para 3,1%, e, no pior cenário, considera possível uma recessão global.
O Banco Mundial também expressou preocupação com as consequências fiscais para os países, que estão gastando mais para limitar os efeitos da crise sobre suas populações.
“Há todo um quebra-cabeças enorme que vai ter que ser refeito mesmo após o final do conflito armado”, destacou o colunista.
Além dos impactos financeiros, ele chamou atenção para as consequências operacionais e logísticas da guerra.
Refinarias, instalações, gasodutos e oleodutos em diversos países do Oriente Médio — incluindo nações que não estão diretamente envolvidas no conflito — foram atingidos, comprometendo a capacidade produtiva da região.
Data centers bombardeados e novas vulnerabilidades
Ciro Reis acrescentou que data centers nos Emirados e no Bahrein também foram alvos de bombardeios, o que, segundo ele, adicionou uma nova camada de preocupação para os Estados Unidos e outros países.
“A cada capítulo deste conflito, a gente descobre novas vulnerabilidades”, afirmou.
A retomada da normalidade operacional, com base em conflitos anteriores como a invasão do Iraque, tende a ser muito mais lenta do que as previsões mais otimistas sugerem.
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