O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta segunda-feira (8.jun.2026) que o PT tem “judiado” da população. A declaração, considerada pejorativa e de teor discriminatório contra a comunidade judaica, foi feita durante participação no programa “Jornal em Foco”, no canal do YouTube da revista Veja.
De acordo com o pré-candidato, o partido governista tem agido de forma prejudicial aos brasileiros por “cada vez mais empobrecer as pessoas, endividar as pessoas, com a violência tomando conta”.
Caiado disse ainda que o partido está “condenando o Brasil” e mencionou que há mais de 90 milhões de pessoas endividadas no país. O pré-candidato completou afirmando que há crise em “todos os segmentos: economia, serviços, comércio e indústria”.
ETIMOLOGIA DO TERMO
A palavra “judiar” origina-se do vocábulo “judeu” associado ao sufixo “-iar”. O dicionário Aurélio define o verbo como “escarnecer, mofar, zombar, fazer sofrer, atormentar, maltratar”.
Historicamente, o termo remete à violência e ao tratamento cruel impostos aos judeus ao longo dos séculos. Durante a 2ª Guerra Mundial, o regime nazista liderado por Adolf Hitler (1889-1945) promoveu o extermínio de cerca de 6 milhões de judeus, evento histórico conhecido como Holocausto (1941-1945).
Com o tempo, a expressão ganhou o sentido generalizado de causar sofrimento a qualquer pessoa ou animal, mas carrega uma carga preconceituosa por associar a figura do judeu ao sofrimento ou à maldade.
O Poder360 procurou a assessoria de Ronaldo Caiado para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da fala do pré-candidato ao Planalto. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
LULA JÁ USOU A EXPRESSÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também já utilizou o termo em ocasiões anteriores. Em fevereiro, durante evento de recepção do troféu da Copa do Mundo de 2026, em Brasília, Lula declarou que o Santos “judiou” do Corinthians, seu time.
Antes disso, em dezembro de 2025, o chefe do Executivo havia usado a expressão ao discursar sobre o aumento da violência contra as mulheres. Trechos do pronunciamento chegaram a ser publicados nas redes sociais do petista, mas foram apagados após críticas de entidades e internautas.
