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OMS: Mais de 900 casos suspeitos de ebola foram identificados na RD Congo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Mais de 900 casos suspeitos de ebola, incluindo 101 casos confirmados, foram identificados na República Democrática do Congo, afirmou o diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, neste domingo (24).

As surveillance efforts have been scaled up in the #DRC #Ebola response, more than 900 suspected cases have been identified so far, including 101 confirmed cases.

In Ituri province, the epicentre of the outbreak, nearly 5 million people live amid ongoing conflict. Today, 1 in 4… pic.twitter.com/hgIydPGZxD

— Tedros Adhanom Ghebreyesus (@DrTedros) May 24, 2026

O que explica o surto da doença no país?

Nas áreas rurais da República Democrática do Congo, uma cepa letal do vírus Ebola devastou comunidades locais, causando mais de 100 mortes e desencadeando uma emergência de saúde global.

O vírus foi descoberto pela primeira vez no país em 1976 e continua sendo uma ameaça constante. O país da África Central registrou 17 surtos, mais do que qualquer outro no mundo – e um surto grave entre 2018 e 2020 deixou 2.299 mortos.

O ebola – um vírus frequentemente fatal que causa sintomas graves, incluindo febre alta e hemorragias internas e externas – tem origem em animais selvagens.

Ele é transmitido aos humanos através do contato próximo com o sangue ou fluidos corporais de animais selvagens infectados, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos, como macacos, de acordo com a OMS.

Uma vez que o vírus entra em uma comunidade, ele se espalha rapidamente entre as pessoas por meio do contato direto com fluidos corporais ou superfícies contaminadas.

O surto atual é causado pela cepa Bundibugyo, uma forma rara do vírus Ebola. Ao contrário da cepa Zaire, mais comum, a variante Bundibugyo não possui, atualmente, vacinas ou tratamentos aprovados.

Os cientistas acreditam que os humanos contraíram o Ebola pela primeira vez ao caçar, manusear ou comer animais selvagens infectados. Esse tipo de alimento – particularmente morcegos, macacos, ratos-do-mato e antílopes – continua popular na República Democrática do Congo, apenas um dos motivos pelos quais o Ebola permanece um perigo atualmente.

Os surtos recorrentes na RD Congo estão ligados à sua geografia. Vastas e densas florestas cobrem mais de 60% do território do país (mais de 150 milhões de hectares), servindo como um terreno fértil natural para o Ebola.

Para muitos moradores rurais da Bacia do Congo – a segunda maior floresta tropical do mundo – onde a carne de caça representa até 80% da ingestão local de proteínas, caçar animais selvagens é uma questão de sobrevivência, não de preferência.

No entanto, essa fonte vital de alimento serve como principal porta de entrada para a transmissão de vírus mortais de animais para humanos, de acordo com Eteni Longondo, ex-ministro da Saúde Pública do país.

Longondo disse à CNN que regulamentar a caça nas densas florestas do país e impedir que as comunidades consumam animais selvagens, principalmente carcaças, continua sendo um desafio significativo para as autoridades de saúde.

“Tudo começa na floresta, e não temos nenhum controle sobre isso”, disse ele, observando que os hábitos tradicionais de caça não podem ser mudados da noite para o dia.

“Você não pode simplesmente dizer às pessoas para abandonarem sua cultura e elas pararem imediatamente. Elas continuam comendo carne de animais selvagens porque não têm outra alternativa”, explicou.

A RD Congo é rica em minerais, mas mais de 80% de seus 100 milhões de habitantes vivem em extrema pobreza.

A situação é particularmente grave no leste, onde uma rebelião armada ativa permitiu que uma poderosa coalizão rebelde tomasse o controle de vastos territórios, deslocando milhões de pessoas e mergulhando a região em uma grave crise alimentar.

Nesta quinta-feira (21), os rebeldes confirmaram um caso de Ebola em Bukavu, cidade sob seu controle na província de Kivu do Sul. Eles relataram que o paciente, um homem de 28 anos, havia falecido e sido sepultado em segurança. Além disso, os rebeldes anunciaram a identificação de um caso separado de Ebola em Goma, a maior cidade do leste do país, também sob seu controle.

(Com informações de Nimi Princewill, da CNN)

O que sabemos sobre o surto de Ebola que a OMS declarou emergência global

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